Dia da Matemática (06/05/2020)

Recentemente tivemos o “Dia da Matemática”, dia 6 de maio, aniversário do saudoso professor Júlio Cesar de Melo e Souza, nosso eterno Malba Tahan. Quando li o Homem que Calculava, o que mais mexeu comigo não foi a engenhosidade da matemática, ou dos seus quebra-cucas. Foi a narrativa que me incluiu nos problemas, a ponto de torná-los meus. Bom, o “Dia da Matemática” não é muito diferente do “Dia do amigo”, você não acha? É uma ocasião que construímos para celebrarmos algo que deveríamos celebrar todos os dias. Tá bom, talvez não de forma eufórica, como uma festa, mas pela boa convivência. Eu fico feliz quando vejo tantos matemáticos comemorando essa data, em instituições, eventos, e tudo o mais. Digo isso de coração, sobretudo nesse momento de pandemia em que temos tão pouco a comemorar. Para todo lugar que olhamos, nos sentimos invadidos por um horror e um desconforto que nos paralisa. Na hora de jogarmos fora o lixo, ou de lavarmos as nossas batatas quando chegamos do mercado. Eu não consigo me esquecer das pessoas que nutrem antipatias pela Matemática, por vezes até mesmo medo e sofrimento. Elas são muitas. Talvez a Matemática as paralise, em meio a um horror comparável àquele que vivemos em relação à pandemia. As pessoas que não desejam ter contato com a Matemática, acabam se privando de momentos fundamentais de suas vidas, alguns deles pessoais, relacionados à tomada de decisões importantes e outros, sociais, conectados à cidadania que democraticamente precisam exercer. A Matemática é uma construção cultural, mas ela não é apenas isso. Ela é, também, reflexo da nossa forma de acessar e transitar em meio a problemas que fazem parte das nossas vidas. Problemas importantes dos quais não podemos abrir mão. Dos quais não devemos abrir mão. Portanto, vivamos nossa admiração e amor pela matemática com todo calor, mas não deixemos de lado as pessoas que precisam domesticar os seus monstros. Para elas, talvez não seja apenas uma questão de fazer ou não algo que se gosta, mas sim de se viver experiências diante da plenitude em que devem ser vividas. Entre o pavor e o amor há muita coisa.





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