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Marcia Rodrigues Leal

A Criatividade estimulada com o VEm Humanista


A participação no VEm Humanista propiciou importantes reflexões, as atividades desenvolvidas com AMOR, atenção e comprometimento, nos fizeram apaixonar ainda mais pelo Matemática Humanista. A grandiosidade das atividades e a maravilhosa qualidade dos conteúdos nas palestras propiciaram o estimulo à criatividade! Participei com desejo e expectativa, o evento mostrou caminhos diferenciados, nos levando a ter um olhar mais sensível para a docência, principalmente nesse tempo pandêmico - que traz tantas incertezas! Em 2020 conheci o Matemática Humanista que foi um presente em minha vida.

A abertura do evento com Ubiratan D’Ambrosio trouxe a visão historiográfica da Etnomatemática no empreendimento humanista, sendo relevante compreender que a educação fundamentada na Matemática Humanística é “[...] uma estratégia de estímulo ao desenvolvimento individual e coletivo [...], com a finalidade de se manterem como tal e de avançarem na satisfação de necessidades de sobrevivência e de transcendência” (D’AMBROSIO, 1996, p. 8). O autor traz indagações de como começa a vida? O que acontece com os seres vivos? E, essas reflexões vão além das culturas, das disciplinas de ensino, é necessário perceber que “a noção de universalidade não é fácil de se manter, como [...] mostram práticas tipicamente científicas, tais como observar, contar, ordenar, escolher, medir e pesar” (D’AMBROSIO,1993, p. 74). Para Ubiratan, é preciso rigor na pesquisa em Etnomatemática. E assim, seguiu o evento com a exposição belíssima do Jogo Africano Mancala e suas potencialidades com o Rinaldo, que trouxe relevantes reflexões considerando que na nossa prática junto Universidade de Brasília, temos utilizado esse jogo como atividade prática vinculada à Pós- Graduação em Educação. O VEm Humanistas foi sensacional, com momentos ímpares de troca de saberes, como mostrou Gelsa nos Itinerários Etnomatemáticos, na exposição do TICAS das Matemas de vários Etnos, com Eliane e a conterrânea Alcione, que fez rememorar minha prática docente vivenciada em Arraias-TO, onde atuei em um escola com turma multisseriada (com aulas para todas as séries do Ensino Fundamental ao mesmo tempo). Era desafiador, mas foi gratificante!

Assim, o VEm Humanista, trouxe muitas lembranças misturadas com a realidade, com as experiências Etnomatemáticas em sala de aula de Norte a Sul com Ana e Gabriela, Etnomatemática como perspectiva de estudo dos artefatos culturais indígenas e africanos com Antônio e as explanações riquíssimas que abordaram a Etnomatemática como método de pesquisa e de ensino na Educação Básica com Isabel que me fez repensar nos anos de docência na Licenciatura em Matemática junto à UEG - Universidade Estadual de Goiás - época vivenciei as transformações docentes dos estagiários durante as observações e as regências no Estágio Supervisionado. E, fica aqui o sentimento de gratidão! No último evento “O Etno dos Excluídos”, com Carlos Mathias transbordou emoções, simplesmente o programa é sensacional! Penso que o próximo evento poderia ser bem parecido com esse, poderia abordar a docência em escolas da zona rural, escolas que ainda não possuem energia elétrica, as vaidades dentro das academias, a precarização docente, outros. Mas, não poderia demorar muito! Já estamos com saudades.

D’AMBROSIO, U. Etnomatemática. Arte ou técnica de explicar e conhecer. 2. ed. São Paulo: Atual, 1993. D’AMBRÓSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas, SP: Papirus Editora, 1996.